Chegou o período dos enamorados no reino das águas, as nativas estão euforicas, a princesa Nydia anda de um lado para outro, buscando as melhores essências, os mais raros aromas, para perfumar o veludo leve de sua pele suave.
Vai até os jardins, colhe e que de mais belo encontra no caminho e tece o mais belo vestido, e assim vai para o espelho das águas confrontar o poder de encantamento do jovem lider dos encantados, que é parte dos rituais dos enamorados do reino das águas doces. Chegando no portal do espelho ela é recebida com as honra do batismo das águas doces e vai até onde está o jovem lider, que a recebe com um sorriso dizendo:
- Bem vinda ao leito do Rio Branco, minha doce princesa das águas claras. Ouviste-me primavera, é a flor mais bela, finalmente enviaste para mim. Diga-me minha princesa, o que são as porções de sexto sentido com as quais vem disposta a confrontar o meu insuperavel poder de encantamento.
- Poesias, majestoso encantado!
- Ah! minha criança inocente. E o que é poesia?
A princesa Nydia retira alguns manuscritos que traz preso a cintura e entrega a ele dizendo:
- Poesia, é a essência dos florais apaixonados; o elixir dos amantes. O hálito dos deuses enamorados.
Jovem lider examina os manuscritos e diz:
- Poesia, minha criança encantada! É como o vento; É pensar em movimento; Só frios raciocínio congelando fragmentos.
- São mais que isso. São mais encantadas que teus encantos. Com certeza estais enciumado diante de tanta beleza!
- Por tamanhas bobagens? nunca!
- Duvido, majestoso! E Poesias não são bobagem, nossas nativas adoram ouvi-las.
- O que chamas de Poesias!
"São partículas arredias
Orbitantes embriagadas
Apaixonantes apaixonadas
Paralelas em choques
Perdidas
Iludidas
Confundido-se entre elas
Não o luminar eterno
Rotineiras passageiras
As vezes passam por onde ficam
As vezes ficam por onde passam
Perambulando num eterno sempre aqui
Bobos gráficos geométricos sem autonomia
Motivos de traduções cômicas no nosso reino dos encantados."
E para não me alongar, minha princesa. Quero dizer que a verdadeira poesia ainda continua apaixonada por mim, e sempre vem aqui rondar ciumenta, fazendo banzeiros nas águas para turvar os reflexos tão inspiradores quanto ela, que vê surgi ao meu lado nesse nosso magnífico espelho d'gua. Imagens como a tua, minha amada princesa.
- Quanta honra! Me envaidece com tão saudáveis elogios, majestoso.
- Não me agradeça. Agradeça aos deuses que se apaixonaram por ti, e sopraram em meus ouvidos esses graciosos galanteios...
Obs. Este texto foi inspirado no diálogo poético teatral O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS que escrevi e postei no www.seringalastral.zip.net
Este texto está dentro do contexto lendário do leito do RIO BRANCO, onde somos os Boto, os humanos peixes encantados. Nele a nativa tenta nos mostrar que existem coisas mais encantada que nós. E poeticamente buscamos comprovar o seu equívoco.
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